A Igreja
de Deus do 7º dia no Brasil
Os amantes da terra
Por Alberto Alves
da Fonseca Fotos Elias Rangel (www.icp.com.br)
Trata-se da Igreja de Deus (7o dia) do Brasil. Segundo
informações dessa igreja, ela foi oficialmente fundada no final de 1979, na
cidade de Campinas (SP), por representantes dos Estados Unidos e do México. Na
tentativa de provar que fora fundada por Jesus Cristo, (algo comum nas ditas
denominações), tenta fazer uma ponte histórica de sua origem declarando ter
sido inaugurada por Jesus Cristo e que sempre teve representantes até chegar na
Idade Média. A partir daí, evoca, como ascendência histórica, os
"Valdenses". Depois pula para o século XVI, período em que declaram
haver documentos da cuja ascendência. Tais documentos, atualmente, encontram-se
na Inglaterra. Após viajar no tempo e no espaço, evoca como ascendente, ou
pelo menos como referência, a Mill Yard Church of God (Igreja de Deus de Mill
Yard), 1664, e, depois, vai para os Estados Unidos, em 1671. Constrangida,
declara que houve perda de adeptos para o Movimento Batista do Sétimo Dia e uma
aproximação com a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Finalmente, depois de
discordar com o "Espírito da Profecia", diga-se a autoridade de Ellen
Gould White, passou a ser a Igreja de Deus do Sétimo Dia.
Outra fonte declara que a Igreja de Deus do Sétimo Dia é um movimento
milenarista e que sua origem real é norte-americana, com sede em Miridian,
Idaho (EUA). "Sua instalação no Brasil tem uma curiosa história. Havia
um pequeno grupo conhecido como Organização Evangélica Universal dos Primogênitos,
de índole adventista, sediado em Guarulhos (SP). A partir de 1978, porém, sua
liderança decidiu unir-se à Igreja de Deus do Sétimo Dia dos EUA. Mas, para
isso, seria preciso adaptar-se ao sistema doutrinário daquele movimento, pois a
IDSD considera-se a única igreja verdadeira, aquela que não se corrompeu com a
"Roma pagã" (a besta do Apocalipse), que seria representada pelo
catolicismo, acusado de herdeiro do paganismo. Os sinais dessa corrupção
seriam as aceitação das seguintes crenças e práticas:
1° Imortalidade da alma;
2° Morada no céu;
3° A doutrina da Trindade;
4° Batismo trinitariano;
5° Domingo como dia santo;
6° Celebração do Natal em 25 de
dezembro;
7° Uso de cruzes nos templos religiosos, entre outros.
"Assim, em 1984, após cinco anos de conversação com os líderes da IDSD
nos EUA, a Organização Universal dos Primogênitos, que cria nos itens 2,3,4,6
e 7, submeteu-se 'às novas doutrinas'. Com isso, toda a organização foi
rebatizada e seus líderes reordenados como ministros da IDSD do Brasil. Com a
união, a mais nova IDSD deixou de ser quinze pequenos grupos espalhados por
aproximadamente quatro Estados para expandir-se por quase todos os Estados da
Federação. A sede nacional encontra-se em Curitiba (PR)".
Pluralidade
doutrinária não ortodoxa
Como uma colcha de retalhos
ou uma grande esponja, a Igreja de Deus (7o Dia) no Brasil absorveu doutrinas e
costumes de todo tipo de seitas e movimentos contraditórios. Observe alguns
exemplos:
* Dos Adventistas do Sétimo Dia herdaram: abstinência das carnes
consideradas imundas (como, por exemplo, a carne de porco); a guarda do sábado;
a doutrina da inconsciência da alma; e a negação do inferno, entre outras.
* Das Testemunhas de Jeová herdaram: negação da doutrina bíblica da
Trindade e da personalidade do Espírito Santo; ataque à comemoração cristã
do nascimento do Senhor Jesus (o Natal); negação da morada dos crentes fiéis
no céu; comemoração da ceia do Senhor Jesus uma única vez na noite do dia 13
para o dia 14 de Nisã; a alma como mero fôlego; aniquilamento; adaptação da
parábola do Rico e do Lázaro à sua moda; negação ao arrebatamento de Elias,
entre outras.
* Da Igreja Cristã Italiana organizada da América do Norte (similar à
Congregação Cristã no Brasil) herdaram: os usos e costumes como regra de fé
básica - o ósculo santo; o uso do véu, entre outros.
* Da Igreja Pentecostal Unida (não confundir com a Igreja Unida, que
também é pentecostal, mas não é unicista) herdaram: o antitrinitarismo e os
usos e costumes rígidos como regra de fé básica: "As vestes devem ser
decentes (não decotadas ou curtas e com proteção para tecidos de certa
transparência). Não é permitido trajes masculinos e uso de pinturas,
esmaltes, batom, etc. Os cabelos devem ser crescidos e não devem ser trançados
ou encrespados artificialmente. Cortes para reduzir o volume ou franjinhas também
são reprováveis". "Os varões não devem andar de shorts, bermudas
ou sem camisa".
* Da Igreja Católica Apostólica Romana herdaram: a doutrina do batismo para
remissão de pecados; o uso dos lava-pés, entre outras.
* Dos Adventistas da Promessa herdaram: a crença de que Jesus morreu na
quarta-feira, utilizando-se do mesmo artifício para "explicar" Marcos
16.9.
Do Tabernáculo da Fé (e outros movimentos unicistas) herdaram: o batismo
somente em nome de Jesus.
Possui também algumas doutrinas similares à dos demais evangélicos ortodoxos.
No entanto, acusa violentamente, em suas literaturas, todas as outras igrejas
evangélicas de apresentarem vínculos com a religião papal, por isso se
considera a única igreja verdadeira (é a síndrome do monopólio da salvação,
muito presente nas seitas).
Ninguém vai morar no céu?
No folheto das Igrejas de Deus (7o Dia) no Brasil foi pinçado
da Bíblia 49 versículos de 27 capítulos. Esses textos foram isolados
cuidadosamente e descontextualizados para sustentar "vinte e seis supostas
razões da sua nova invenção" A saber (a ordem que segue é a mesma da
publicação deles):
* 6 citações dos Salmos: 115-16; 37.9; 37.29; 37.11; 10.18; 122.3,5;
* 3 citações de Atos: 7.49; 17.26; 2.29,30;
* 8 citações de Mateus: 5.5; 6.9; 25.31; 13.41-42; 25.31; 13.40,41; 13.38;
13.30;
* 6 citações de Apocalipse 5.10; 3.21; 11.15; 2.25-27; 20.2,3; 21.2,3;
* 2 citações de Isaías: 65.9; 24.6;
* 2 citações de Provérbios: 2.21-22; 2.22;
* 2 citações de João: 8.21-23; 13.33;
* 1 citação de Lucas: 1.31-33;
* 1 citação de Jeremias: 23.5;
* 3 citações de Daniel: 7.14; 7.27; 2.34,35,44;
A maior parte dos versículos acima citados se refere à esperança do povo do
antigo concerto em morar na terra prometida, basta usar os devidos contextos
para constatar isso. Em Deuteronômio 28 estão listadas as bênçãos para o
povo do antigo concerto que possuísse a terra e obedecesse ao Senhor e as maldições
que sobreviriam a esse povo caso desobedecesse a Deus. Esses versículos,
portanto, em sua maioria, são facilmente compreendidos e aplicáveis ao povo da
antiga aliança que saiu do Egito para herdar a terra prometida e habitar nela.
Contêm, ainda, promessas sobre os mil anos de paz no antigo pacto. Essa
promessa é muito bem esclarecida na nova aliança em Apocalipse, quando diz
que, no período futuro de mil anos o reino de Deus será estabelecido e
florescerá na terra (Ap 20.1-6).
Mas, como nos ensinam as Sagradas Escrituras, as trajetórias do povo do antigo
concerto são figuras e sombras para o povo do novo concerto: "Pela fé
Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por
herança: e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé habitou na terra da promessa,
como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele
da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice
e construtor é Deus...Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as
promessas, mas vendo-as de longe, e crendo-as e abrançando-as, confessaram que
eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente
mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde
haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto
é , a celestial, Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar
seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade" (Hb 11.8-10; 13-16).
Portanto, a promessa de habitar na terra prometida era a sombra da verdadeira
habitação que Deus prometeu aos fiéis, o céu. "Porque tendo a lei a
sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas..." (Hb 10.1a).
No desespero de provar sua teoria, "os amantes da terra" declaram:
"Ninguém poderia seguir Jesus no céu". E que nem "os próprios
discípulos de Jesus poderiam ir para o céu". E citam João 13.33: "
Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós me buscareis, e o que eu
disse aos judeus, eu o digo a vós também agora: para onde eu vou vós não
podeis ir" . Este é um dos exemplos claros de desonestidade teológica e
apologia do erro, pois veja o que diz todo o contexto bíblico: "Tendo ele,
pois, saído, disse Jesus: Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é
glorificado nele. Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si
mesmo, logo o há de glorificar. Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco;
buscar-me-eis, e o que eu disse aos judeus também agora vos digo a vós outros:
para onde eu vou, vós não podereis ir. Um novo mandamento vos dou: Que vos
ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros
vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns
aos outros. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus lhe respondeu:
Para onde eu vou não podes agora seguir-me, mas depois me seguirás. Disse-lhe
Pedro: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida.
Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na verdade, te
digo que não cantará o galo enquanto não me tiveres negado três vezes"
(Jo 13.31-38 - grifo do autor).
Não precisamos tecer nenhum comentário. O texto bíblico por si só encerra a
questão: o ensino dos "amantes da terra" é uma falácia!
Na sofrível conclusão do folheto, os textos seguintes são novamente usados:
Mt 25.31; Ap 3.21; 10.7; 11.15, 5.10 e Dn 7.27. A única novidade é Zacarias
14.9, outra alusão ao milênio. De forma precipitada, o folheto encerra suas
argumentações com a absurda declaração: "Esta é a pura verdade sobre o
Reino de Deus. Não existe um tempo de morada nos céus!".
Provavelmente, os "amantes da terra" estejam acostumados e conformados
em morar na terra, isso porque não conhecem o plano de Deus para a redenção
da humanidade.
O mito da "morada eterna na terra", bem como a negação da vida
eterna nos céus, não passa de uma evasiva subjetivamente, sem nenhum conteúdo
bíblico, exegético e histórico (basta ler a patrística, ou os relatos sobre
a esperança dos primeiros cristãos), daí a contínua afirmação deles de que
se trata de "uma doutrina papal e pagã" a idéia de morar no céu, já
que não possuem argumento bíblico sólido.
Podemos seguramente confiar nas palavras consoladoras e cheias de esperança da
Bíblia Sagrada: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com
voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo
ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados
juntamente com ele nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos
sempre com o Senhor" (1Ts 4.16-17). "E por isso também gememos,
desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu..." (2 Co
5.2). "Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já
antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho" (Cl 1.5).
E não param por aí as afirmações bíblicas a respeito desse assunto: morada
no céu.
" Por isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial,
considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nosso confissão"
(Hb 3.1); "Porque também vos compadecestes das minhas prisões, e com
alegria permitistes o roubo dos vossos bens, sabendo que em vós mesmos tendes
nos céus uma possessão melhor e permanente" (Hb 10.34). "Respondeu
Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo,
pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora
o meu reino não é daqui" (Jo 18.36). "Mas eu vos digo que muitos virão
do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó,
no reino dos céus" (Mt 8.11). "Porque o Reino de Deus não é comida,
nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo" (Rm 14.17);
"Pai, aqueles que me destes quero que, onde eu estiver, também eles
estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste
antes da fundação do mundo" (Jo 17.24).
Apocalipse 7.5-15 declara que havia uma multidão de pessoas no céu "...
que estavam diante do trono e do Cordeiro" (v.9). Diz, ainda, o apóstolo
João: " Por isso estão diante do trono de Deus e o servem de dia e de
noite no seu templo" (v.15). Onde está o "templo de Deus"? No céu
(Ap 11.19). E ainda em Apocalispe 19.1, lemos: "E, depois destas coisas
ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão, que dizia:
Aleluia! Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso
Deus".
Não podemos nos esquecer ainda do caso de Elias e de Moisés, que aparecem na
transfiguração do Senhor Jesus em Mateus 17.3. E eles falaram com Jesus. Onde
estava Elias? Onde estava Moisés? No céu ou no túmulo? Moisés aparece
falando com o Senhor Jesus muitos anos após sua morte. A Bíblia diz que eles não
haviam ressuscitado. Os servos de Deus que já morreram estão vivos. Foi
justamente isso que o Senhor Jesus declarou quando os saduceus o questionaram
sobre os que já haviam morrido: "E , acerca da ressurreição dos mortos,
não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o
Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora Deus não é Deus dos mortos, mas dos
vivos" (Mt 22.31-32).Os patriarcas estão vivos ou mortos diante de Deus? O
Senhor Jesus declara explicitamente que estão vivos e que Deus não é Deus de
mortos, mas de vivos.
Que a exortação de Paulo aos filipenses tenha efeito real na vida dos
verdadeiros cristãos: "Sede também meus imitadores, irmãos, e tende
cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. Porque
muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando,
que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o
ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas
terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o
Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para
ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também
a si todas as coisas" (Fl 3.17-21- grifo do autor).
Ora vem, Senhor Jesus!
Dicionário de religiões, crenças e ocultismo George
A. Mather & Larry A. Nichols - Editora Vida - 2000, pp. 213 e 214.