Nome derivado do termo
grego gnosis (conhecimento), os gnósticos tornaram-se uma seita que defendia
a posse de conhecimentos secretos que, segundo eles, tornava-os superiores aos
cristãos comuns que não tinham o mesmo privilégio. O movimento
surgiu a partir das filosofias pagãs anteriores ao Cristianismo, que
floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia (Macedônia).
Ao combinar filosofia pagã, alguns elementos da Astrologia e mistérios
das religiões gregas com as doutrinas apostólicas do Cristianismo,
o gnosticismo tornou-se uma forte influência na Igreja.
A premissa básica do gnosticismo é uma cosmovisão dualista.
O Supremo Deus Pai emanava do mundo espiritual "bom". A partir dele,
procediam sucessivos seres finitos (éons), quando um deles (Sofia) deu
à luz a Demiurgo (deus criador), que criou o mundo material "mau",
juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o
constituem.
Cristãos gnósticos, como Marcião (160 d. C.) e Valentim,
ensinavam que a salvação vem por meio de um desses éons,
Cristo, que se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir
o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos
no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado.
Cristo, embora parecesse ser um homem, nunca assumiu um corpo físico;
portanto, não foi sujeito às fraquezas e emoções
humanas. Jesus não veio em carne!
Algumas evidências sugerem que uma forma incipiente de gnosticismo surgiu
na era apostólica e foi o tema de várias epístolas do Novo
testamento no combate a essas heresias (I João; epístolas pastorais).
A maior polêmica contra os gnósticos apareceu, entretanto, no período
patrístico, com os escritos apologéticos de Irineu (130-200),
Tertuliano (160-225) e Hipólito (170-236). O Gnosticismo foi considerado
um movimento herético pelos cristãos ortodoxos. Atualmente, é
submetido a muita pesquisa, devido às descobertas dos textos de Nag Hammadi,
em 1945/46, no Egito. Muitas seitas e grupos ocultistas demonstram alguma influência
do antigo Gnosticismo.
(Fonte: Dicionário de Religiões
- Ed. Vida)